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sexta-feira, 21 de agosto de 2009

VOCÊ FOI*
















Quando seus olhos se perderam nos meus, me senti preenchida como se houvesse encontrado uma outra parte de mim.Era a continuação da minha pele numa forma sublime.Foi penetrando lentamente pelas entranhas da minha alma e se instalando nos meus dias, nos meus desejos e na minha vida.Você apenas sorria, porque na verdade sabia que era um deus escondido dentro de um menino envergonhado ,e eu chorava porque era sua devota, triste por perceber que não era deste mundo.
Um pouco de você era tudo para mim e o barulho da sua lágrima se misturava com o silêncio dos meus lábios que mesmo mudos se transformavam num poema de Amor.
Eu queria mais, muito mais.
Você pedia um tempo porque o infinito era pouco para nós.Mas tempo para quê se a sua existência foi curta como um verão; como aquele que nos reencontramos no meio do povo?
E se foi, simples e silencioso como chegou , como um andarilho do Universo, deixando um rastro de saudades por todos os lugares que aqui esteve, e por onde estiver tenha a certeza que estarei esperando por você.
Á todos aqueles que também se foram, mas que ainda continuam presentes, como um presente dentro de cada um de nós, meu poema saudoso.

Silmara Retti -

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

UMA CANÇÃO PARA JOÃO PEDRO








No percurso de cada caminho muitas pessoas partem deixando saudades e outras chegam, trazendo alegrias.
Assim é o ciclo da vida; feito de sol e chuva, calor e frio, lágrimas e sorrisos.E o melhor sorriso continua sendo de uma criança feliz, que brinca de viver como se tivesse o mundo em suas mãos.
Dentro dela está toda a energia do bem querer, armazenada em seu corpinho frágil preste a explodir numa gargalhada gostosa, com sabor de suquinho de groselha e cheiro de chocolate quente!
Pra você é sempre festa, transformando a nossa realidade numa fantasia viva, onde tudo de bom pode acontecer...
De manhãzinha acorda cantando suas músicas inventadas e depois foge pra rua com cinco pernas, carregando a mochila nas costas, só de medo de ir para a escola.De tarde se reúne com toda a molecada, abrindo o berreiro quando lhe chamam para tomar banho e a noite muda o próprio nome, fazendo graça e dizendo-se cheio de poderes.
Já não é mais o nosso João Pedro.Virou o Homem-Aranha, pulando pelos cantos da casa com sua super máscara de borracha, em mais uma missão especial .
Mexe em tudo, gruda nas paredes e nos deixa cada vez mais apaixonados.João Pedro, você realmente não é um menino comum. É muito mais que o homem Aranha.
Você é nosso herói e te amamos por isto!

Silmara Retti

TIO CIRO, SHOW DE BOLA













Benedito Ciro dos Santos, mais conhecido como Tio Ciro, é uma personalidade marcante na História do Futebol de Ubatuba.
Nascido em 1935 na cidade de Taubaté, foi jogador na década de 50 atuando em vários clubes de renome da região, como o XV de Novembro em Caraguatatuba.
Em 05 de outubro de 1975, juntamente com o amigo Rubens Salles, fundou a Escolinha Municipal de Futebol, que traz em seu lema:
“Bom na Bola... Bom na Escola.”
Atualmente a Escolinha Municipal de Futebol Rubens Salles, conduz mais de 600 crianças de Norte a Sul de Ubatuba, oferecendo-lhes o exemplo vivo de Tio Ciro, que mesmo após ter nos deixado no ano de 2001, continua presente dentro de nós.
“Tio Ciro, muitas vezes precisamos driblar os problemas, dando um olé nas dificuldades, para depois levantarmos a galera com um surpreendente gol de placa, nos tornando inesquecíveis na memória de cada um .”


Silmara Torres Retti

TIA Terezinha

Eu não tenho palavras que consigam definir dona Terezinha; a amiga, a mulher, a mãe de cada um de nós, sempre carentes de seu colo amoroso, de suas palavras de conforto e de seu sorriso espontâneo.
Filhas de pais ubatubenses,soube definir com dignidade, amor e dedicação o perfil da mulher caiçara.Trabalhou como merendeira em várias escolas da rede estadual e municipal de Ubatuba.
Quem não conheceu dona Terezinha...
Quem não ouviu falar sobre a tia Terezinha; aquela pessoa que contagiava a todos com sua alegria de viver, rodeada por crianças e amigos...
É com muita emoção que nós, familiares recebemos esta homenagem neste dia tão especial e com certeza, onde Dona Terezinha estiver, se sentirá honrada em estar cada vez mais presente no coração de todos nós.
Em nome da família Fernandes Rossi, aqui representada por seus filhos, sobrinhos, netos, genros e a nora , Silmara Retti, agradecemos a Prefeitura Municipal de Ubatuba, ao prefeito Paulo Ramos e a Secretaria da Educação por esta iniciativa . Que Deus abençoe as crianças da EMEI TEREZINHA FERNANDES ROSSI, hoje e sempre!


Silmara Retti - NORA

SIMPLESMENTE VOCÊ


















Já não sabia há quanto tempo estava olhando pelas grades daquele quarto triste e vazio, mas repleto de pensamentos confusos que me faziam ter insônia durante a noite e delírios constantes no decorrer dos milhões de minutos, homicidas de toda a energia concentrada nos meus olhos.Olhos negros, sonolentos e dopados pelo mesmo psicotrópico de sempre, receitado após as refeições como se fosse um docinho de abóbora.
Agora eu não era mais o moleque comum que sorria no quadro da parede, onde não me enquadrava num retrato feliz.Era mais um doente da sociedade, isolado da minha própria família em nome da benevolência humana e jogado junto com o meu medo diante de um psiquiatra; dono absoluto do meu corpo, do meu destino e dono de mim!
Minhas pernas tremiam de tantos remédios e quando passei as mãos nos cabelos percebi que foram picotados. Melhor assim porque não precisava mais pentear, como antes fazia.Não precisava mais ser o bonitinho para ninguém e a ala feminina do manicômio era saturada por mulheres frias, silenciosas e silenciadas pela solidão.
Chamadas apenas de LOUCAS VARRIDAS, que arrastavam suas caras sonsas pelos corredores, a procura de motivos que as fizessem acreditar que teriam um almoço familiar ao lado daquele marido distante, que nunca mais apareceu. Igual a mim.Tínhamos as mesmas caras e o mesmo uniforme pálido que não definia nossas curvas, nos transformando em seres assexuados e “alheios”.
Ali dentro eu não era mais o estudante de engenharia eletrônica, que sempre fui . Este homem havia ficado para trás dos muros, num passado que não fazia parte da minha nova personalidade.
Uma camisa de força havia nos separado e quando as pessoas ao meu redor perceberam que eu não poderia ser mais aquele homem sociável, subitamente me prenderam dentro de um camburão no qual fui conduzido para um outro mundo, confinado a permanecer vagando entre os demais desiludidos, feito carcaças humanas entupidas por calmantes, apenas para não incomodar .
Ao meu lado estava o armário de ferro, companheiro de longas tardes de primavera, verão, outono e inverno !
Era o meu único amigo e quando quiseram trocá-lo por uma cômoda nova, protestei como pude para que pudesse ficar ali comigo. Este hospital tem um jardim florido e muitos bancos pintados por tinta clara.Depois das árvores coloridas tem um muro alto que vai além dos meus olhos e da minha imaginação.E sei que depois dele tudo é diferente e perfeitamente normal.As pessoas do outro lado não babam e não adoecem de pavor ao saber que não existe futuro...Estou aqui a espera.Estou aqui esperando que um dia não exista mais nenhuma doença mental; que um dia não exista mais esta solidão e que um dia alguém venha apenas me ver.Podem me trazer pipocas, dar comida na minha boca e me fazer uma graça sem me deixar sem graça por eu não achar mais nada engraçado.
Vocês podem percorrer este jardim desbotado, passar pelo isolamento e depois ir embora.Abrir aquele portão de ferro com os olhos impregnados de piedade, dar um aceno distante, virar as costas e simplesmente ir embora.
Você já me deu a certeza de um destino incerto;me deu calmantes para ficar tranqüilo dentro de um manicômio; me deu uma camisa de força para não me rebelar contra uma estrutura falida, um sistema que castrou a minha liberdade de poder simplesmente tomar cafezinho no bar da esquina ...E agora, vai me dar o quê?!
Fechei os olhos devagarzinho e me transformei num sonho onde pudesse distrair os pensamentos e alegrar a minha imaginação sonâmbula.Agora não sou mais um som.
Um mero som que os surdos não ouvem, pois o meu cantar incomoda os seus ouvidos e os hipócritas ignoram.Omitem. Agora sou mais que um conjunto harmonioso.Cansei de me perder no Cosmos a procura de algo que me tornasse vivo perante a sociedade.
Algo que me desse o poder de libertar sorrisos aprisionados atrás de um simples radinho triste que cantarola musicas antigas.
Agora sou eu mesmo que acabou de encontrar-se...Não na simplicidade do meu ser, mas na grandiosidade dos meus sentimentos.
Estou aprisionado no seu preconceito. Preciso ser livre.Neste verão quero vestir uma camisa de força.Quero usar camiseta, como você.

Silmara Retti
Fábio, ainda amo você.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

PARA UM AMIGO TONY LUÍS

Tenho certeza que o “Ranchinho Caiçara” , um programa cultural que ganhou espaço durante inúmeras tardes, conquistou definitivamente um lugar muito especial no coração de todos .
Por diversas vezes nos emocionamos; choramos, rimos e nos expressamos através do jeito irreverente do radialista Tony Luís que abriu caminho às tradições caiçaras, semeando sonhos e garimpando tesouros, oferecendo a eles a oportunidade de mostrar o seu imenso valor .E pelas ondas do rádio, muitos, até então anônimos, de repente se tornaram personalidades ilustres .
O programa “Ranchinho Caiçara”, que teve início em abril de 2002, conseguiu contagiar as pessoas de norte a sul de Ubatuba e cidades próximas .
Foram tantos participantes que perdemos a conta .
O prof. Júlio Mendes estreou com a história “ O Matuto Migué e o Guarda Florestal ” e partir daí não parou mais, firmando uma parceria marcante .
Contavam “causos”, anedotas e se misturavam numa energia tipicamente caiçara .
Este programa, com sabor de banana verde e aroma de aipim representou Idalina Graça, Seo Filhinho, Mestre Bigode, Dona Ofélia, Dona Lígia, Dona Dirce, Dona Mocinha , Da Motta,Julinho Mendes, Prof. Quincas, Clementino, João de Sousa, João Barreto, Carlos Rizzo, João Teixeira Leite, Sinéia , Seu Genésio, André, Nenê Veloso, dona Nena, Jair Carpinetti, Catito, João Alegre, Dito Fernandes e tantos outros que nos fizeram sentir orgulho em sermos cidadãos caiçaras , dando corpo e voz a nossa gente ; gente simples , gente aqui da terra que tomou posse diante do microfone, para cantar e contar sobre suas raízes que merecem muito respeito .
E é por isto e muito mais que venho prestar minha singela homenagem ao Programa Ranchinho Caiçara e ao seu apresentador Tony Luis, que nos prestigiou durante anos com sua irreverência, sinceridade e alegria. Meu amigo, Ubatuba agradece, enaltecida, por você existir.Você e todas as nossas raízes culturais ! Que Deus lhe abençoe hoje e sempre .

Silmara Retti

Por você ...Fábio Retti .















FÁBIO RETTI não sabia há quanto tempo estava olhando pelas grades daquele quarto vazio, mas completamente repleto por pensamentos confusos .Um “tererê” danado que lhe deixava com insônia durante a noite e uma paranóia estampada na cara, feito um carimbo, diferenciando :
- gente boa e gente louca .
E ele não era mais o moleque sorridente da mamãe que dava uma de bonitinho para a família ver e rever, babando de orgulho .Agora ele era um sujeito “doente”da sociedade, o pobre bololó , que em nome da piedade humana foi isolado do mundo num manicômio publico, apenas para não molestar os bons costumes da vizinhança com seu jeito irreverente , como que se a sua loucura fosse um pecado mortal e um Castigo Divino .
É mais fácil pensar assim porque não estamos preparados a ter filhos especiais, “diferentes” do Pedro, do João, do Antônio ...
O nosso preconceito é de dentro para fora e nos desespera e aprisiona .Preferimos varrer o problema para debaixo do tapete e sair sorrindo por ai, esquecendo que aquele moleque aprisionado num Orfanato , numa Clínica de Detenção, num hospício qualquer é filho do nosso mais puro descaso .
E vivem abandonados, longe de tudo e de todos, fazendo do armário do canto o melhor amigo e companheiro de muitos pensamentos de solidão .
Fábio já não sabia mais o caminho de volta ...No Natal ninguém apareceu , nem no aniversário, nem no domingo .
E se apareceu, ele não viu porque estava dopado .
Talvez tivessem medo de encarar o seu cabelo picotado por uma navalha assim que foi internado .Não queriam ver de perto o seu jeito sem jeito e os olhos perdidos num grito de saudades :
- Me levem para casa e cuidem de mim .
Aquele lugar tinha um jardim florido com banquinhos pintados de branco e depois um muro enorme que ia muito além de sua imaginação .E ele sabia que depois do muro tudo era perfeitamente normal, onde as pessoas do outro lado perambulam pelas ruas liberando seus instintos animais, porém aceitos e copiados no mundo inteiro .
Justo Fábio que era estudante como tantos outros, que tinha seus sonhos de se dar bem na vida e de repente, com vinte anos, pirou .
Os médicos não acharam um nome que pudesse definir o que não se define .E desse jeito as pessoas não lhe aceitam mais por inteiro, com seus problemas e limitações. Morrem de vergonha de ter suas manias por perto e decidem por conta própria que o melhor lugar do mundo é o quarto de um manicômio , por esconder bem escondidinho o que não querem ver ; o que agride, o que contesta ...
O que vem feito uma bomba direto no nosso egoísmo e no medo de libertar os nossos preconceitos desta prisão. Estes moleques não precisam viver assim, isolados da gente porque eles também fazem parte da Família .
Poderiam ser seus filhos, netos e amigos ...Ou até mesmo um desconhecido que espera uma atitude de alguém .
Esses manicômios têm seus quartos, suas enfermarias, suas camisas de força ...seus métodos antigos e indiferentes e continuam , ano após ano, anônimos diante de nossa realidade .
Nós preferimos nos esparramar no sofá da sala e assistir o Noticiário das Oito , de boca aberta por tanta violência, mas o descaso é uma delas e pensar que o mundo gira apenas ao redor de nossas vaidades , isto sim é loucura .
Todo manicômio tem um portão de saída, que só é permitido para poucos, porque podemos passar por ele, dar um aceno distante, virar as costas e ir embora .
Ninguém poderá fazer mais nada .Nem oferecer um abraço, um caminho diferente, um futuro melhor ...
Não vamos deixar que nossos moleques fujam da realidade e se aprisionem assim , tão longe do nosso carinho, do nosso afago e do nosso Amor .
Para você, Fábio, João,Antônio ...Para todos vocês que são especiais; fiquem aqui pertinho de nós, porque o melhor lugar do mundo é o nosso coração .Dentro dele não precisa ter muros, trancas, prisões ...Precisa ter apenas um jardim florido e acima de tudo, ao ar livre !

Silmara Torres Retti

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

O MEU GAROTO

















Não vou te chamar de Andrezinho porque você diz que é coisa de boiola e logo faz um muque querendo dar uma “voadora ” no ar , com as perninhas carimbadas por tatuagens de chiclets .E logo oferece seus préstimos pela bagatela de centavos .
Para buscar o jornal só se ficar com o troco e depois sorri com a boquinha banguela se achando um milionário !Mas se alguém precisar de uma moeda, empresta mediante a garantia de uma carta escrita e assinada, com a promessa de um futuro pagamento sem data prevista .
Ainda não sabe ler, porém examina o documento com a desconfiança de um grande banqueiro pra depois fechar negócio .
No seu mundo de aventuras foi o próprio Batmam com a fantasia acetinada, pedalando por todas as ruas deste bairro a procura dos bandidos seqüestradores .Já usou gravata do avô para se transformar num vereador; a camisola da vovó para se fantasiar de mulher e já fez muitos partos com a tesoura de costura nas almofadas do sofá .Também dançou tango de rosto colado, batom vermelho e brincos de argola .Sem preconceitos porque você é um artista e merece o nosso aplauso !
Todas as manhãs coloca suas botas de plástico para catar guaiamu no mangue e passear com eles amarrados por um barbante .
André , você é um menino valente que fala sozinho com seus bonecos guerreiros, mas na verdade é o nosso herói porque não tem medo dos sustos que a vida nos prega, enfrentando os problemas com coragem e determinação .
Só chora quando se emociona e é um choro tão silencioso que somente suas plantinhas do quintal conseguem entender .E neste momento todas as flores plantadas por suas mãozinhas de jardineiro amoroso sabem que está com saudades do papai que mora no Céu .
André, eu amo você .Por todas as alegrias que nos trás ; por todos os pratos de polenta que saboreia, lambuzando a camiseta; por sua coleção de pererecas guardadas dentro de um balde furado; por sua gargalhada gostosa todas as vezes que trapaceia no dominó; por revirar os olhinhos de lá pra cá, me fazendo rir muito, mesmo querendo chorar .
Não acredito quando promete que vai me mandar para um asilo no deserto .Quando me chama de bruxa velha ou quando me presenteia com um saco de conchinhas coloridas!
Quem ainda não conhece o André,nosso futuro prefeito, pode observar que todas as tardes ele sobe no ônibus de mãos dadas com o seu avô Oscar, em rumo a EMEI do Perequê-Açu .Podem mandar um beijo para ele, porque no dia 23 de outubro o nosso garoto faz aniversário .
Meu filho, você vai fazer sete aninhos, mas a nossa maior festa é a sua existência .Tenho certeza que neste dia o seu pai vai pedir licença lá no céu só para poder lhe dar aquele abraço que você tanto espera, orgulhoso que será um grande homem como ele foi !
Vá a luta, nosso Batmam. O mundo lhe aguarda ! Você já me disse que quer ser médico, frentista, professor, padeiro, engenheiro, sonhador ! Não importa .Seja sempre você mesmo, para ser feliz .

Hoje André tem dezesseis anos e ainda me enche de orgulho.TE AMO!

Silmara Retti

MÃE MARIA


















Toda mulher deveria se chamar Maria porque este nome rima com determinação, coragem e Amor. É a própria poesia retratada num sonho de mãe, que se expande de dentro para fora, acariciando todas as crianças como se fossem suas.
Mil vezes mãe quando me acolheu em seu colo como que se eu fosse a continuação de seu próprio ventre, me doando tudo de lindo.
Mas eu não cresci, mãe.Preciso muito de seu dengo, do seu jeito amoroso de resolver todas as situações, do seu silêncio que mesmo mudo pela emoção, sussurra pra mim:
- Vá e seja feliz!
E na verdade eu já sou feliz, simplesmente por ter você no meu caminho, iluminando todos os momentos da vida como um foco incandescente, daqueles que somente os anjos possuem e conseguem doar.Mãe Maria, mãe Dirce, mãe Tereza, mãe Priscila...Todas são fragmentos da alma feminina de Deus, nos acalentando em seu colo de LUZ.

Para você, Maria Maffei , minha mãezinha linda !


Silmara Torres Retti

ESTA HISTÓRIA
















Esta é a história mais vivida, dolorida e sentida de todas as que já escrevi, pois ela me fala de você...
Você que foi o doce preferido da minha infância, as manhãs de verão, os sonhos de menina...e que agora se transformou simplesmente num grito de saudades que me sufoca por dentro e me faz perguntar ao céu estrelado:
- Onde está você , meu amor ?
Você que já se foi ; partiu assim tão de repente, mas que continua aqui comigo, dentro de mim e da minha alma que sempre pergunta:
- Onde está você , meu amigo ?
Você que ainda sorri nos meus sonhos, que visita os nossos filhos na calada da noite, apenas para me fazer perguntar a Deus :
- Onde está você, Fábio Retti ?

Silmara Retti

domingo, 16 de agosto de 2009

CARTA AO MEU PAI *














Pai, como o tempo passa...Parece que foi ontem que eu era uma menininha vaidosa, com um rabo-de-cavalo muito bem feito por minha mãe e usando um vestidinho de renda colorida que ela também criava na sua máquina Singer.
Você ainda tinha os cabelos negros, num topete sinuoso, deixando a mostra pouco mais de quarenta anos...Algumas pessoas poderiam achar que já era um “coroa”, mas um Super herói não tem idade. Super-herói por conseguir nos dar tudo de bom, numa luta diária contra o tempo, porque tínhamos pressa em viver.E com chuva ou sol, lá estava você carregando sua pasta marrom, aquela que deixava explícito que se tratava de um trabalhador de verdade.
Naquela época eu não conseguia entender essas coisas que a gente só enxerga quando cresce...Muitas vezes me revoltei, dizendo um monte de bobagens que hoje já nem me lembro mais...
Bobagens de uma garota que achava que tinha o poder de mudar o mundo.E eu tentei; fui além da minha época, desejando o que parecia impossível.
Com dezesseis anos bati o pé várias vezes: queria me casar com aquele que ignoravam por ser esquizofrênico.Depois disse que seria uma escritora de contos e crônicas.Que a minha foto, um dia, até sairia em jornais...
É pai, eu investi em tudo o que acreditava.Você me dizia que era loucura, mas eu fui feliz assim.Precisava fazer do meu modo, pois tinha um compromisso comigo mesma.
Casei-me contra a sua vontade e sei que sofreu muito.Faz muito tempo, porém depois disso, criou-se um muro entre nós...
Mas pai, a vida é assim e às vezes tomamos decisões que as pessoas não entendem.
Valeu como alicerce para que pudesse me preparar para outras surpresas da vida...E assim amadureci mais cedo, criando uma força interior que me impulsiona sempre adiante!
E você, mesmo não querendo, ficou ao meu lado.Com seu jeito tímido, quase mudo, porém eu sabia que estava ali.
Estava ali quando me presenteou com a minha primeira máquina de escrever, para que eu pudesse digitar todos meus poemas.Quando me ajudou a criar os meninos que também são seus! Quando escutou todas as minhas verdades, sempre sorrindo, quando na verdade queria chorar em seu colo.
Pai,desculpe a demora.Eu me perdi nos caminhos da vida, mas neste desabafo, um pouco tardio, só posso lhe beijar os cabelos branquinhos, o rosto traçado pelas marcas do tempo e dizer no seu ouvido: te amo, como naquelas manhãs de domingo que me colocava no seu ombro para assistir ao desfile de Sete de Setembro.Eu te amo por descobrir um bilhetinho seu, guardado durante anos numa caixinha antiga, chamando-me de filhinha amada. Escreveu no dia da minha I Comunhão e nunca teve coragem de me entregar...E te amo muito mais por ser único pra mim!
Hoje finjo não ver os seus 83 anos, puxados por um chinelinho surrado com muita dificuldade. Nem assim consigo abrir o meu coração porque pra mim é difícil falar, pai.
As lágrimas escorrem pelo canto dos olhos e prefiro ler esta carta para você.Quero lhe pedir que me proteja do Bicho Papão e que o Papai Noel me presenteie com um Milagre de NATAL , para que possamos ser felizes...só um pouquinho mais! Perdoa por tudo, pois ainda sou uma criança e preciso CRESCER. Pai me abraça!

Meu pai faleceu em 09/02/2006 sem conhecer esta carta, pois não tive coragem de lhe entregar.


Sua sempre sua,
Silmara Torres Retti